17/06/2026 07:54 - Salud
Persona mayor activa y sonriente realizando ejercicio al aire libre en un parque, con un fondo luminoso y natural que transmite vitalidad y bienestar.
O médico neurologista Conrado Estol, um dos especialistas mais reconhecidos da Argentina, afirmou que a sociedade atravessa uma mudança histórica na expectativa de vida humana, onde o foco deve ser deslocado da mera duração dos anos para a qualidade com que se vive. Em entrevista ao jornal argentino LA NACIÓN — um dos principais veículos de comunicação do país vizinho —, o especialista explicou que jovens e adultos menores de 50 anos devem adotar uma mentalidade preventiva, já que alcançar os 90 ou 100 anos em plenitude física e cognitiva é uma possibilidade real se certos pilares de bem-estar forem cumpridos desde etapas precoces.
"O que importa é o número que corresponde à sua idade cronológica? Há gente de 30 anos que poderia ser considerada velha, como se usassem termos antigos", questionou Estol, que defendeu o abandono do conceito tradicional de velhice.
Gerenciar as emoções e as situações estressantes é fundamental para preservar a saúde mental e física a longo prazo.
As relações interpessoais ativas e significativas são um pilar essencial do bem-estar emocional e cognitivo.
O descanso adequado é essencial para a reparação celular, consolidação da memória e regulação hormonal.
Eliminar o tabaco é uma das mudanças mais impactantes para melhorar a expectativa e qualidade de vida.
O consumo responsável ou a abstinência protegem o cérebro e outros órgãos vitais do organismo.
Uma dieta equilibrada fornece os nutrientes necessários para o funcionamento ideal do corpo e da mente.
A atividade física regular é fundamental para manter a mobilidade, a força muscular e a saúde cardiovascular ao longo dos anos.
O especialista alerta que atualmente dois terços das pessoas transitam seus últimos dez anos de vida em condições de saúde precárias, o que ele define como "a década perdida". Este conceito é especialmente relevante no contexto latino-americano, onde o envelhecimento populacional está acelerando rapidamente. "Dois terços das pessoas chegam e passam seus últimos 10 anos de vida em mau ou muito mau estado de saúde", detalhou Estol, citando a realidade observada em seu consultório.
Para reverter essa situação, o neurologista ressaltou que a chave para uma longevidade plena não reside em soluções mágicas, mas na adoção sistemática dos sete pilares de hábitos saudáveis desde cedo.
"Para manter a mente ativa aos 80 anos, é preciso fazer o mesmo que aos 40: manter o otimismo, ter uma visão positiva e um propósito de vida", explicou Estol. Esta abordagem reflete uma tendência crescente na medicina preventiva argentina e mundial.
Diante de qualquer dúvida ou falha de memória, é fundamental a consulta precoce com profissionais, assim como se faz em outros aspectos da saúde. "Não basta apenas cumprir os deveres com esses hábitos de vida saudável que mencionei, é preciso ter um acompanhamento profissional. Sozinho é muito difícil", destacou.
Em outra nota publicada em 15 de junho de 2026, o mesmo especialista enfatizou o manejo da saúde mental: "Se não for possível controlar a ansiedade com hábitos, é preciso consultar um profissional; não se deve ter medo da medicação bem indicada".
A medicina de precisão permitirá um acompanhamento individualizado ao longo das décadas, adaptando as recomendações a cada pessoa conforme suas características únicas.
Estol advertiu contra o estigma da aposentadoria precoce e da passividade. Contrariando a crença popular, ele destacou que a maioria dos negócios bem-sucedidos é iniciada por pessoas maiores de 60 anos — um dado que desafia estereótipos sobre o envelhecimento tanto na Argentina quanto no Brasil.
"Você não precisa dizer: 'tenho 75 anos, o que vou fazer? Vou assistir novelas à tarde'. Não. Você precisa se manter ativo", enfatizou o especialista, sublinhando a importância de manter um propósito de vida em qualquer idade.
O envelhecimento é um processo contínuo que se gerencia desde os 30 anos. "Até os 30 envelhecemos muito lentamente, e pouco. A inclinação da queda é mínima, depois vai se acentuando, mas é desde muito jovem, não aos 75", concluiu Estol. Priorizar a saúde metabólica e cardiovascular desde a adultez jovem é fundamental para uma velhice plena e ativa.
Conrado Estol é um médico neurologista argentino de renome internacional, especialista em doenças cerebrovasculares e em medicina preventiva. Ele é conhecido por seu trabalho na Argentina e por difundir informações sobre saúde cerebral e prevenção de doenças neurológicas. O jornal LA NACIÓN, onde a entrevista foi publicada, é um dos veículos de comunicação mais tradicionais e respeitados da Argentina, fundado em 1870.
Alfredo S. Quiroga