29/06/2026 09:48 - Economia
Para investidores estrangeiros que acompanham o mercado imobiliário argentino, é fundamental compreender que o país utiliza o peso argentino (ARS) como moeda local, com uma taxa de câmbio que historicamente apresenta alta volatilidade. Atualmente, o dólar oficial cotiza cerca de $1.479 pesos, o que impacta diretamente nos custos de construção e na atratividade para capitais internacionais.
Segundo o último relatório da Asociación Pymes de la Construcción de la Provincia de Buenos Aires (Apymeco) — entidade que representa as pequenas e médias empresas do setor da construção da província mais populosa da Argentina —, o valor do metro quadrado atingiu $2.162.556,49 pesos durante maio de 2026, consolidando uma alta mensal de 1,84% e um incremento interanual de 21,75%.
O relatório destaca que o segmento de materiais foi o principal impulsionador do aumento, com uma alta mensal de 3,11% — a mais elevada do ano. A mão de obra, por outro lado, teve um comportamento mais moderado, com incremento de 0,74%, apesar dos novos acordos salariais e adicionais não remunerativos.
| Material | Variação mensual |
|---|---|
| Cimento | +14,12% |
| Concreto elaborado | +8,10% |
| Tijolos cerâmicos | +5,00% |
| Tintas | 0,00% |
| Material sanitário | 0,00% |
| Cal | 0,00% |
Fonte: Apymeco, maio 2026
Uma leitura interessante surge ao medir o custo em moeda estrangeira. O metro quadrado passou de U$S 1.522,25 para U$S 1.501, representando uma queda de 1,34%. Esta queda responde à estabilidade do tipo de câmbio oficial, que permite que os custos em dólares se mantenham competitivos para investidores estrangeiros.
O dólar utilizado para este cálculo é o oficial fornecido pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) ao dia 10 de cada mês.
A Apymeco utiliza um modelo de referência: um edifício multifamiliar de 1.948,02 m² desenvolvido em rés-do-chão e nove andares, localizado na zona U/C 1 de La Plata — capital da província de Buenos Aires e importante centro universitário. Este edifício inclui 12 garagens, uma habitação para porteiro e 27 unidades funcionais de um dormitório. O estudo desmembra assim a estrutura de custos:
| Componente | Incidência |
|---|---|
| Materiais | 39,51% |
| Mão de obra | 27,84% |
| Provisões de terceiros | 11,64% |
| Custo-custo (subtotal) | 78,99% |
| Despesas gerais | 4,80% |
| Benefício da empresa construtora | 10,89% |
Nota: O "custo-custo" representa os custos diretos da obra, sem incluir margens empresariais.
Ao desmembrar os rubros específicos, a estrutura de concreto armado se mantém como o desembolso mais importante, representando 24,00% do orçamento total. Seguem-se:
Estes percentuais permitem a desenvolvedores e investidores antecipar onde se concentra o maior investimento e planear em conformidade.
O despacho de cimento — um indicador chave do nível de atividade — registrou uma melhora de 10,4% em relação ao mês anterior. No entanto, ainda se situa 1,5% abaixo do mesmo período do ano anterior, o que indica uma recuperação gradual mas não completa do setor.
Para o mercado imobiliário local, o relatório da Apymeco é uma ferramenta essencial. O custo direto de obra não inclui IVA, valor do terreno, despesas administrativas, honorários profissionais nem a rentabilidade do desenvolvedor — fatores que elevam significativamente o custo final de qualquer empreendimento.
Para investidores brasileiros: É importante considerar que a Argentina tem impostos específicos como o IVA (21% sobre materiais) e custos trabalhistas que diferem do Brasil, além de variações cambiais entre o peso argentino e o real brasileiro.
O acumulado em 2026: o custo de construção já subiu 8,41% no primeiro semestre.
Comparativa interanual: o aumento em relação a maio de 2025 foi de 21,75%, abaixo da inflação geral projetada de 29% para 2026.
Dólar oficial: $1.479 em junho de 2026, com acumulação de reservas no BCRA por USD 11.000 milhões.
Fonte: BBVA Research, BCRA
A queda do custo em dólares — somada à estabilidade cambial — abre oportunidades para quem planeia investir em propriedades na Argentina. O encarecimento em pesos reflete a inflação local, mas a competitividade em moeda estrangeira mantém atrativo o mercado imobiliário para capitais internacionais, incluindo investidores brasileiros que buscam diversificação geográfica.
Fontes: Informe Construcción | El Día | Apymeco
Alfredo S. Quiroga