29/06/2026 15:23 - Actualidad
O Frente de Unidade Docente Bonaerense (FUDB), integrado pelos sindicatos AMET, FEB, SUTEBA e UDOCBA, anunciou uma greve provincial para a terça-feira, 30 de junho de 2026. A medida representa uma escalada inédita na relação entre os sindicatos de professores e a administração de Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires, que até agora havia conseguido evitar conflitos desta magnitude com as principais organizações do setor.
Os trabalhadores da educação denunciam um contexto de "ajuste brutal na educação pública", somado a um "enorme sufocamento financeiro" que afeta a província de Buenos Aires por parte do Governo Nacional. A província de Buenos Aires é a mais populosa da Argentina, com cerca de 17 milhões de habitantes, e sua política educativa impacta milhões de estudantes.
Axel Kicillof é o atual governador da província de Buenos Aires, eleito em 2019 e reeleito em 2023. Foi ministro da Economia da Argentina durante o governo de Cristina Fernández de Kirchner (2013-2015). A província de Buenos Aires não deve ser confundida com a Cidade Autônoma de Buenos Aires (a capital federal do país), sendo uma entidade política separada que circunda a capital.
Os sindicatos apresentaram um comunicado com seis pontos centrais que detalham as demandas do setor:
| Ponto | Demanda principal |
|---|---|
| 1 | Implementação do Acordo de Prevenção da Violência Escolar |
| 2 | Recomposição salarial urgente e reabertura de paritárias |
| 3 | Fim da sobrecarga laboral e garantia de desconexão |
| 4 | Financiamento da educação técnica profissional |
| 5 | Defesa do sistema previdenciário docente |
| 6 | Melhoria das prestações do IOMA (obra social) |
Os professores exigem a plena implementação do Acordo Paritário de Prevenção, Erradicação, Resguardo e Reparação, junto com um protocolo complementar. Também reclamam a aplicação efetiva da legislação vigente para penalizar delitos e contravenções, a realização de jornadas institucionais e medidas concretas que garantam a integridade psicofísica de toda a comunidade educativa.
Este ponto é especialmente relevante dado o aumento de episódios de violência em escolas argentinas nos últimos anos, incluindo casos de agressões a professores e alunos.
Os sindicatos demandam uma proposta salarial que recomponha o poder aquisitivo. O reclamo se dirige ao Governo Nacional pela restituição do FONID (Fundo Nacional de Incentivo Docente) e à Província pela urgente convocação a Paritárias - espaços de negociação coletiva entre governo e sindicatos.
Contexto: A inflação na Argentina é uma das mais altas do mundo, o que deteriorou significativamente o salário real dos professores. O FONID é um fundo especial que complementa os salários docentes em todo o país.
Os professores denunciam um incremento de tarefas que exige garantir a desconexão total fora da jornada laboral. Pedem modificações no Regime Acadêmico e a derogacão das Resoluções 3367 e 333. Ante a baixa de natalidade, reclamam que nenhum professor fique sem trabalho.
A Argentina tem uma das taxas de natalidade mais baixas da América do Sul, o que afeta a quantidade de alunos nas escolas e, consequentemente, a demanda por professores.
Exigem do Governo Nacional a restituição do artigo orçamentário destinado à Escola Técnico Profissional. Os sindicatos rejeitam o desfinanciamento que compromete a formação de milhares de jovens e coloca em risco a educação técnica pública, inclusiva e de qualidade.
As escolas técnicas argentinas são reconhecidas internacionalmente por sua qualidade e formam técnicos em áreas como mecânica, eletrônica, informática e outras especialidades industriais.
Os trabalhadores expressam preocupação pelas mudanças que o Governo Nacional tenta aplicar ao regime previdenciário. As modificações impactariam negativamente no Instituto de Previdência Social (IPS) e nos direitos de aposentadoria dos professores.
O sistema previdenciário argentino permite que os professores se aposentem mais cedo que outros trabalhadores devido à natureza desgastante de sua atividade, um direito que estaria em risco.
Os sindicatos demandam que o IOMA (Instituto de Obra Médico Assistencial) garanta prestações adequadas e oportunas para os professores bonaerenses. O reclamo inclui que o Estado assegure um sistema de cobertura que responda às necessidades reais do setor.
O que é o IOMA? É a obra social (sistema de saúde) dos trabalhadores da educação da província de Buenos Aires. Funciona como um seguro de saúde obrigatório financiado com contribuições dos professores e do Estado provincial.
Esta medida de força se produz em um contexto de tensão crescente entre os sindicatos de professores e o governo provincial. Os sindicatos denunciam que a perda do poder aquisitivo afeta diretamente as condições de vida dos trabalhadores da educação, enquanto a violência nas escolas requer um abordagem multissetorial urgente. A greve de terça-feira, 30 de junho, afetará todas as escolas da província de Buenos Aires, que conta com mais de 35.000 estabelecimentos educativos e milhões de alunos.
Alfredo S. Quiroga