13/07/2026 10:03 - Economia
As principais consultorias de mercado e o Banco Central da Argentina (BCRA) antecipam que a alta de preços continua sua trajetória descendente, trazendo alívio para a economia do país sul-americano.
Para entender o contexto, a Argentina tem travado uma longa batalha contra a inflação alta. Segundo informaram meios especializados e o Governo nacional, a inflação de junho de 2026 teria desacelerado novamente, ficando abaixo de 2%, após fechar em 2,1% em maio. Para julho de 2026, as projeções indicam que essa tendência se manterá, consolidando um clima de otimismo.
A Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM), realizada mensalmente pelo Banco Central da República Argentina (BCRA), apontou uma projeção de 2% para a inflação de julho. Para agosto, a expectativa é de que atinja 1,8%, nível que se sustentaria durante o restante do ano. Por sua vez, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) feche 2026 em torno de 25% ao ano, chegando a um dígito apenas em 2028.
| Consultoria / Entidade | Projeção Julho 2026 |
|---|---|
| REM (BCRA) | 2,0% |
| Analytica | 1,8% |
| Qualy Consultora | 2,0% |
| GMA Capital | 2,1% |
| Equilibra | 1,9% |
Apesar do bom panorama, alguns setores típicos do inverno no hemisfério sul pressionam o índice. Segundo detalhou Rocío Bisang, economista da GMA Capital, o pagamento do salário extra (conhecido na Argentina como 'aguinaldo') e as férias de inverno costumam reajustar preços. Os principais motores de alta seriam:
Os alimentos, excluindo produtos frescos, mostram uma desaceleração acentuada. A variação média em supermercados foi reduzida de 2,8% para 1,5% nos últimos 30 dias. Além disso, a energia elétrica registrou aumento de apenas 1,5% pelo terceiro mês consecutivo, graças ao reforço de subsídios estatais.
Da consultoria 1816 destacaram que as gasolinas deveriam baixar aproximadamente 16% para se adequar aos menores preços internacionais do petróleo cru, o que impactaria diretamente em uma queda de 0,65 pontos percentuais no IPC. No entanto, o economista Lorenzo Sigaut Gravina (Equilibra) advertiu que a recente recuperação do preço internacional do petróleo Brent, vinculada à tensão geopolítica no Oriente Médio, poderia mudar esse cenário.
Atualmente, o sobrepreço nos combustíveis compensa refinadores e revendedores por meses em que a gasolina foi mais barata do que correspondia segundo o valor do Brent. Se o Governo buscar compensar o congelamento prévio, os preços atuais se manteriam até meados de novembro de 2026.
Com o risco país (um indicador que mede a probabilidade de um país não pagar suas dívidas) em queda e o consumo que se reativa lentamente, as expectativas para o segundo semestre do ano desenham um cenário de crescente estabilidade e esperança para a economia argentina.
Alfredo S. Quiroga