20/07/2026 16:48 - Economia
O mercado automotivo argentino continua sua transformação para a mobilidade sustentável. Para quem não conhece o mercado local, a Argentina possui fortes restrições à importação, mas criou um regime especial. O governo nacional está preparando a terceira licitação deste programa que permite importar 50 mil veículos híbridos e elétricos anuais sem pagar o arancel extrazona, que é uma tarifa de 35% aplicada a veículos vindos de fora do Mercosul, o bloco econômico que inclui Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
Segundo meios de comunicação especializados, embora ainda não haja data oficial confirmada, estima-se que a cota para o ano de 2027 seria habilitada entre o final de agosto e os primeiros dias de setembro de 2026. A adjudicação das unidades permitiria que os veículos começassem a entrar no país a partir de janeiro de 2027.
O regime impulsionado pela Secretaria de Indústria modificou a composição do mercado, que no primeiro semestre de 2026 alcançou 66% de carros importados. Como a cota de 2025 foi lançada com o ano avançado, muitas unidades chegaram entre dezembro e janeiro, sobrepondo-se à cota de 2026. Por isso, durante este ano entrarão quase 80 mil carros sob esta condição tarifária.
| Dado | Cifra |
|---|---|
| Total de licenciamentos em um ano e meio | 607.576 unidades |
| Carros vendidos da cota 2025/2026 | Aprox. 75.000 veículos |
| Peso do programa no mercado | 12% |
| Vendas de 0km em 2025 (particulares e SUV) | 410.057 unidades |
Um dos pontos de maior tensão entre as montadoras é o preço máximo de USD 16.000 FOB. O termo FOB, ou Free On Board, refere-se ao valor do veículo no porto de saída, antes do transporte. Este teto beneficia principalmente as marcas asiáticas, especialmente as chinesas, que conseguiram saltar de 1% para representar entre 8% e 12% das vendas no país. Por outro lado, fabricantes europeus e japoneses ficam de fora por não conseguirem ajustar seus custos de produção a esse valor.
Fontes do setor ouvidas por meios de comunicação indicaram que se avalia aumentar o teto para USD 30.000 FOB. Isso permitiria a entrada de modelos como o Tesla Model 3, após o recente desembarque da marca no Uruguai. No entanto, existe o risco de desvirtuar o objetivo original do programa, que era fomentar a queda de preços e a competição.
A transição avança a passos firmes. Entre 2024 e 2025, as vendas de unidades híbridas e elétricas cresceram 87%, passando de 4.900 para mais de 9.100 veículos. Para sustentar este ritmo, a infraestrutura de carga também teve de se expandir: atualmente existem 430 pontos de carga pública no país, um salto significativo frente aos 142 registrados em 2023.
Apesar do avanço, 65% das estações de carga concentram-se no AMBA, que é a Área Metropolitana de Buenos Aires, abrangendo a capital e seus arredores. Isso representa um desafio para a adoção dessas tecnologias nas províncias do norte e do sul do país.
Mais de 30 montadoras já expressaram sua intenção de participar na próxima convocatória. O resultado desta licitação será chave para consolidar a mobilidade sustentável na Argentina, em um contexto onde se projeta que para 2028 pelo menos 8% dos carros novos vendidos possam ser elétricos.
Alfredo S. Quiroga