14/06/2026 12:03 - Politica
Reunión de gabinete en la Casa Rosada con Javier Milei presidiendo la mesa y funcionarios debatiendo documentos oficiales
Manuel Adorni não planeja renunciar ao seu cargo de chefe de Gabinete porque considera que está mais seguro dentro do Governo que fora, segundo confirmaram fontes próximas ao funcionário. Vale explicar que o chefe de Gabinete na Argentina é um cargo similar ao de um primeiro-ministro em sistemas parlamentaristas, coordenando a gestão governamental.
Esta estratégia de permanência se sustenta principalmente no apoio incondicional do presidente Javier Milei, o presidente libertário que assumiu em dezembro de 2023. Segundo pessoas que conhecem bem ambos, Milei não vê com maus olhos que a investigação se enquadre no delito de evasão fiscal em vez de enriquecimento ilícito.
A lógica interna do Governo é clara: se o presidente chegou a qualificar como "heróis" aos empresários que fugiram dinheiro no encontro de abril de 2024 em Bariloche (famoso resort de esqui no sul da Argentina), a evasão fiscal não estaria mal vista desde a perspectiva anarcocapitalista que guia o oficialismo.
Para entender a dinâmica argentina: Karina Milei não é apenas a irmã do presidente, mas a Secretária Geral da Presidência, com enorme influência nas decisões políticas. É frequentemente chamada de "a arquiteta" das vitórias eleitorais de Javier.
Segundo fontes que tratam frequentemente com a Secretária Geral, Karina Milei teria dado liberdade aos ministros para expressar sua opinião sobre Adorni. Esta decisão marcaria uma distância significativa respecto ao chefe de Gabinete.
"Não quer saber mais nada. Quer muito a Manuel, mas percebe que ao Governo não convém o que passa", afirmou uma fonte em estrita reserva. Porém, existe um componente fundamental que impede qualquer afastamento imediato: se Adorni deixar o cargo agora, o PRO capitalizaria a situação.
O PRO (Proposta Republicana) é o partido de centro-direita fundado por Mauricio Macri, ex-presidente argentino (2015-2019). Macri é uma figura central na oposição e o libertarismo quer evitar que ele leve o reconhecimento político desta crise.
Um importante trader argentino radicado em Nova York consultado pelo meio local Infobae explicou por qué os investidores estrangeiros não modificam sua perspectiva de investimento: "Nenhum investidor vai mudar sua perspectiva pelo que acontece. No Peru mudam os presidentes como as estações do ano e não sucede nada".
O mercado confia em:
| Indicador | Valor | Contexto |
|---|---|---|
| Risco país | Cerca de 450 pontos básicos | Mínimo desde maio 2018 |
| Inflação mensual | 2,1% (maio 2026) | Mínimo em 8 meses |
| Classificação S&P | De CCC+ para B- | Melhora de grau investidor |
| Compras BCRA | USD 10.600 milhões líquidos | Segundo melhor registro histórico |
O BCRA é o Banco Central da República Argentina. O risco país é um indicador que mede a probabilidade de inadimplência de um país.
Na Casa Rosada (sede do governo argentino, equivalente ao Palácio do Planalto no Brasil) reconhecem que não existe uma substituição lógica para reemplazar a Adorni. Os nomes que soam têm seus próprios obstáculos:
Visto como uma sorte de "chefe de Gabinete azul" por seu papel nas desregulações. Poderia ser uma dor de cabeça para vários funcionários por seu "talibanismo ideológico".
Levantou muito seu perfil e tem boa relação com os irmãos Milei. Porém, certos setores do karinismo veem com receio sua proximidade com a ala de Santiago Caputo, outro assessor chave do governo.
Outros nomes como Sandra Pettovello, Diego Santilli, Martín Menem e Pilar Ramírez se mencionam, mas cada um tem sua própria dinâmica estabelecida em suas áreas atuais.
A oposição avança com a moção de censura contra Adorni. Este é um mecanismo constitucional argentino que permite ao Congresso destituir o chefe de Gabinete por maioria absoluta:
120 assinaturas obtidas (precisam 129 para quórum)
Sessão especial solicitada para 24 de junho
Precisam 37 votos para censurar
Victoria Villarruel convocou Trabalho Parlamentar para 18 de junho
Victoria Villarruel é a vice-presidente da Argentina e presidente do Senado.
O Governo adiantaria o informe de gestão de Adorni ao 2 de julho para controlar a narrativa. Se o Congresso destituir ao chefe de Gabinete, fontes oficiais asseguram que Milei avalia nomeá-lo novamente por decreto.
A entrevista de Adorni com José Del Río gerou mal-estar portas adentro. O chefe de Gabinete confessou omissões em suas declarações juradas e admitiu ter ganho USD 300.000 negociando bitcoins, uma explicação que não convenceu à opinião pública nem a vários funcionários.
A consultora AdHoc registrou um novo pico histórico de menções negativas em X (antigo Twitter), passando de 135.000 a 323.000 menções, devido a memes sobre a reportagem e vídeos anteriores onde Adorni declarava não ter conhecimentos profundos sobre criptomoedas.
O caso Adorni representa a primeira crise política séria do Governo de Javier Milei, mas o mercado financeiro não o percebe como um risco sistêmico devido à fortaleza dos indicadores macroeconômicos. A decisão final sobre a continuidade do chefe de Gabinete dependerá da evolução do escândalo e dos números legislativos para a moção de censura.
Fonte: Infobae - www.infobae.com
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones