17/06/2026 21:04 - Politica
El hemiciclo del Senado argentino durante una sesión legislativa, con los legisladores en sus bancas y el ambiente tenso propio de un debate político de alto impacto
O Senado da Argentina decidiu adiar sua sessão até o dia 25 de junho de 2026. Trata-se de uma manobra política do partido governista, La Libertad Avanza (LLA), para ganhar fôlego e tentar administrar a crise. No entanto, a estratégia não foi suficiente para deter o avanço da oposição, que já garantiu os votos necessários para interpelar o Chefe de Gabinete, Manuel Adorni, no dia 2 de julho.
Para os leitores brasileiros, é importante entender que o Chefe de Gabinete na Argentina é um papel semelhante ao do Chefe da Casa Civil no Brasil: é o coordenador político do governo perante o Congresso. Sua interpelação é um mecanismo de controle parlamentar onde o funcionário deve comparecer para responder perguntas, sob pena de censura ou remoção do cargo.
A presidente do bloque governista, Patricia Bullrich, buscou negociar com os blocos oposicionistas e 'dialoguistas' (partidos de centro que costumam negociar com o governo). Ela esclareceu que o projeto de interpelação foi impulsionado pela oposição e "não será acompanhado por La Libertad Avanza". Bullrich detalhou os aspectos procedimentais, explicando que a medida requer maioria absoluta para ser aprovada.
O presidente do bloco do PRO, Martín Goerling Lara, foi categórico ao afirmar que a permanência de Adorni no cargo "não é mais sustentável". O PRO (Propuesta Republicana) é o partido do ex-presidente Mauricio Macri e é um aliado chave do governo de Javier Milei. No entanto, a situação de Adorni está tensionando essa aliança.
"Adorni não pode continuar em seu cargo. Isso foi dito por nosso partido e pelo ex-presidente Macri. Sua continuidade está rompendo o vínculo com a sociedade e paralisando a gestão", declarou Goerling Lara, sinalizando que apoiarão um pedido de censura se não houver explicações claras.
Na política argentina, a matemática legislativa é fundamental. O projeto já conta com 25 votos assegurados, necessários para a maioria. Este número se fortalece com o apoio de diversos setores:
| Bloque / Setor | Aprox. Votos |
|---|---|
| Convicción Federal (Governistas aliados) | 3 |
| Radicais (UCR - Centro) | Maioria da bancada |
| PRO (Centro-Direita) | 2 |
| Provinciais (Santa Cruz, etc.) | 4+ |
Nota: Estes votos refletem a fragmentação política argentina, onde os governadores provinciais têm grande peso no Senado.
O foco da crise é o questionamento sobre um incremento patrimonial inexplicável de 775% nas declarações juradas de Adorni. Ele admitiu uma omissão de USD 500.000, o que gerou uma investigação judicial pelo juiz Ariel Lijo.
Enquanto isso, o presidente Javier Milei mantém seu apoio incondicional, citando sua filosofia de luta: "Se houver 1% de possibilidade, lute 100%". A sessão na Câmara de Deputados está programada para 23 de junho de 2026.
Com o adiamento, o governo tem cerca de 15 dias para definir a estratégia. A interpelação está marcada para 2 de julho de 2026. Nesse dia, o Chefe de Gabinete deverá enfrentar o Senado e responder sobre seu patrimônio. Caso não convença os legisladores, pode enfrentar uma moção de censura que poderia forçar sua saída, abalando a coalizão governista.
Fonte: La Nueva, 17/06/2026
Alfredo S. Quiroga