18/06/2026 09:50 - Politica
Vista interior del Salón de los Escudos en Casa de Gobierno de Entre Ríos durante una sesión legislativa sobre reforma previsional, con senadores y representantes gremiales debatiendo, ambiente formal con banderas argentinas y escudos provinciales en las paredes.
O Senado de Entre Ríos tornou-se o epicentro de uma das discussões mais relevantes do ano: a reforma do sistema previdenciário provincial. Representantes da Associação da Magistratura e da Função Judicial, do Conselho Profissional de Ciências Econômicas, da UPCN e da APS expuseram suas observações perante as comissões de Orçamento e Fazenda e de Assuntos Constitucionais.
O projeto, impulsionado pelo governador Rogelio Frigerio, busca modificar aspectos centrais da Caja de Jubilaciones y Pensiones de Entre Ríos, que apresenta o déficit mais acentuado entre os 13 sistemas previdenciários provinciais que não foram transferidos para a Nação.
Alejandro Cánepa, presidente da Associação da Magistratura e da Função Judicial, solicitou expressamente a eliminação do artigo 8 do projeto, que limita a possibilidade de avançar judicialmente contra aspectos da reforma. Segundo ele, trata-se de uma disposição cuja "inconstitucionalidade é óbvia".
Um dos pontos mais criticados foi a declaração de emergência previdenciária prevista no projeto. "O capítulo da emergência contamina a reforma previdenciária", expressou Cánepa, argumentando que a emergência planteada resulta "parcial" e carece de sustento constitucional e jurisprudencial.
O magistrado também questionou a delegação de atribuições legislativas ao Poder Executivo para determinar os benefícios. "O salário não pode ficar sujeito ao Poder Executivo", ressaltou.
O Conselho Profissional de Ciências Econômicas de Entre Ríos apresentou observações técnicas fundamentadas. Lisandro Tomé alertou sobre o cálculo do benefício inicial baseado em uma média de 20 anos de contribuições: "Se fazemos um cálculo inicial que não mantém as mesmas condições de vida que você tinha na atividade, cada aposentado equivale a um processo judicial".
Como alternativa, propôs substituir esse critério por uma fórmula baseada nos 15 melhores anos de contribuições (180 meses), calculados com valores vigentes no momento do término da atividade laboral.
| Proposta | Cálculo atual | Cálculo proposto |
|---|---|---|
| Benefício inicial | Média de 20 anos | 15 melhores anos (180 meses) |
| Mobilidade (reajuste) | Depende de ingresos efetivos | IPC (índice de preços ao consumidor) |
| Prazo de atualização | 60 dias úteis mínimo | 60 dias corridos atual |
Javier Núñez Souza reconheceu a complexa situação financeira da Caja e advertiu que a persistência do déficit "poderia derivar em maiores cargas tributárias para distintos setores da economia".
A secretária adjunta da UPCN, Carina Domínguez, solicitou manter o requisito de 30 anos de contribuições e que o cálculo do benefício inicial seja realizado sobre os últimos 120 meses de atividade. Sinalizou que levar o cálculo para 240 meses é "desnecessário para este momento de incerteza, de baixo salário, de crises econômicas".
UPCN também questionou o aumento da contribuição previdenciária pessoal até um 8% adicional em contexto de emergência. "Um 8% mais os 19% que já se aplicam é um 27%, é mais de um quarto do salário. Isso é uma confiscação", reclamou Domínguez.
A secretária geral da APS, Alejandra Levrand, detalhou o impacto em trabalhadores de serviços públicos de alto desgaste físico: "Me custa pensar nos trabalhadores que se dedicam à coleta de lixo porque o fariam com 65 e 68 anos de idade". Também mencionou empregados de obras sanitárias que trabalham submersos em água e docentes de jardins de infância.
Um dos pontos mais controversos é a equiparação da idade de aposentadoria entre homens e mulheres, estabelecida em 65 anos para ambos os sexos. Levrand classificou esta medida como uma "discriminação negativa" ao não considerar as tarefas de cuidado não remuneradas que recaem majoritariamente sobre as mulheres.
O ex-secretário geral da AGMER, César Baudino, foi mais contundente: "Há um ataque aos regimes especiais, e há um ataque realmente autoritário, de dinossauros, do machismo reinante em nossa sociedade, planteando que as mulheres vão ter igualdade porque vão estar envolvidas na mesma sintonia que os homens aos 65, 68 anos".
Baudino señalou que dois terços dos aposentados são mulheres e que a reforma desconhece os múltiplos empregos e as tarefas de cuidado que realizam.
O senador Rafael Cavagna (Juntos por Entre Ríos) defendeu a reforma como uma resposta necessária ante um sistema "estruturalmente desequilibrado". "O pior que podemos fazer é não fazer nada com nosso sistema previdenciário", afirmou.
Cavagna explicou que o processo começou com informes atuariais para determinar a dívida que mantém o Estado nacional com Entre Ríos, o que derivou em uma demanda ante a Corte Suprema. "Estamos quatro a um com ANSES. A cada quatro reconhecimentos que vêm da Nação para a Caja vai um para outro sistema. Não há uma transferência efetiva de fundos nos últimos 10 anos", afirmou.
O senador insistiu que o projeto permanece aberto a modificações e descartou novas cargas tributárias: "Estamos falando de uma reforma de direito previdenciário. Hoje em dia, para pagar as aposentadorias de cada 10 pesos, há que pedir 4 pesos às rendas gerais do Tesouro Provincial".
Uma das questões centrais do debate é a dívida do Estado nacional com a Caja de Jubilaciones provincial. Segundo o governo entrerriano, existem fundos que a Nação reconhece mas não transfere efetivamente. O reclamo está atualmente na Corte Suprema de Justiça.
O projeto de emergência previdenciária tem prazo até 31 de dezembro de 2027, embora o artigo permita prorrogações posteriores por decisão do Executivo.
Na próxima semana continuará a rodada de exposições perante as comissões legislativas, com a participação de novos setores vinculados ao sistema previdenciário. Espera-se a comparecência de expresidentes da Caja como Daniel Elías e Edgardo Scarione.
O debate se enquadra no artigo 35 da Constituição provincial, que estabelece a responsabilidade coletiva para que o Estado seja eficiente e encontre equilíbrios fiscais.
Fontes: El Once, Análisis Digital, APFDigital
Alfredo S. Quiroga