14/07/2026 06:24 - Economia
O mercado internacional de grãos atravessaria um momento de grande dinamismo. De acordo com meios de comunicação como Clarín Rural e Ámbito, o preço da soja em Chicago experimentaria um sólido repique de 5% durante a semana anterior, chegando a US$ 437,9 por tonelada. Na segunda-feira, 13 de julho de 2026, somaria um novo avanço de US$ 1,84, atingindo US$ 439,73, seu valor mais alto desde maio.
Para um estrangeiro, é importante entender que a China é a maior compradora global deste grão. Fontes indicam que o gigante asiático adquiriu quase 900.000 toneladas de soja estadunidense na semana anterior e um novo carregamento de 136.000 toneladas nesta segunda-feira. Existiria a expectativa de que o país compre cerca de 25 milhões de toneladas anuais. A isso se somaria o retorno dos fundos especulativos (investidores que buscam ganancias apostando nas tendências do mercado), que dobrariam suas posições compradas até somar 10 milhões de toneladas em apenas uma semana.
Dois fatores chave estariam impulsionando essa tendência. Por um lado, a tensão bélica entre Estados Unidos e Irã reativaria a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o comércio global de petróleo. Isso dispararia o preço do cru, o que contagiaria o mercado de grãos: o óleo de soja subiu US$ 48 até atingir US$ 1.610 por tonelada, um incremento superior a 5% na semana.
Por outro lado, o mercado climático geraria incerteza sobre a oferta. Os prognósticos indicariam ondas de calor e falta de chuvas no cinturão sojero estadunidense até agosto, momento crucial para a definição das vagens. Além disso, o relatório de estoques trimestral do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estimaria um volume menor de existências do que o esperado, ajustando para baixo as previsões de milho para 51,31 milhões de toneladas para o ciclo 2025/2026.
| Commodity | Preço (US$/ton) | Variação |
|---|---|---|
| Soja | 439,73 | +5% semanal |
| Óleo de Soja | 1.610 | +5% semanal |
| Milho | 173,61 | +4% semanal |
| Trigo | 235,20 | +6,75% semanal* |
*O trigo registraria uma correção para baixo de US$ 1,84 na última sessão por toma de ganancias.
Apesar dos preços recorde, fontes indicam que os produtores argentinos comprometeriam apenas 42% da colheita 2025/26 e fixariam preço em apenas 27%. Isso representa a menor cobertura (contratos de venda a futuro) desde a campanha 1994/95.
Sobre uma produção estimada em 51,5 milhões de toneladas, comprometer-se-iam apenas 21,8 milhões, um 19% menos que a média histórica.
Segundo um informe da Bolsa de Comércio de Rosario (um dos principais centros financeiros e agroexportadores da Argentina) citado por Rosario3, a alta internacional sustentaria as cotações locais, onde a soja pagar-se-ia até US$ 325 por tonelada, um valor que, ajustado pela inflação, não se via desde maio. No entanto, a face B deste fenômeno seria a retenção.
A analista Paulina Lescano explicaria que os preços baixos anteriores gerariam oportunidades de compra para os fundos e expectativas de recompra chinesa. Mas, por que o campo argentino não vende? A resposta seria uma estratégia de liquidez: a abundante oferta de trigo e girassol, somada a uma demanda externa dinâmica de milho que já marcaria um recorde de exportações, canalizaria os ingressos do setor para esses grãos, postergando os compromissos sobre a soja.
Para as grandes empresas cerealistas (conhecidas localmente como 'cerealeras', como a Bunge) e as pequenas e médias empresas que operam no Grande Rosário (responsável por mais de 80% das exportações agroindustriais argentinas), esta combinação de preços altos e grão escasso representaria um desafio financeiro. Quanto mais tarde o produtor vender, mais financiamento de curto prazo necessitariam as empresas para sustentar a moagem e o embarque.
Este mercado, cheio de novos atores e demanda financeira, apresentaria uma grande oportunidade para as companhias com maior capacidade de compra antecipada. Embora existisse o risco de uma reversão se o conflito no Oriente Médio for desativado, a atual dinâmica demonstraria a fortaleza e a resiliência do complexo agroexportador argentino frente aos vaivéns globais.
Alfredo S. Quiroga