18/06/2026 10:10 - Economia
Ilustración conceptual de antenas de telecomunicaciones y ondas de señal sobre un mapa de Argentina, representando la fusión empresarial y la competencia en el mercado de comunicaciones
O Tribunal de Defesa da Competência (TDC) da Argentina notificou sua decisão final sobre a compra da Telefónica Móviles Argentina pela Telecom, operação avaliada em USD 1,25 bilhão anunciada em fevereiro de 2025. A resolução estabelece que a Telecom deverá se desfazer de 6 milhões de clientes móveis, o que representa aproximadamente 50% de sua carteira atual.
A Telecom deve ceder 6 milhões de assinantes móveis distribuídos estrategicamente na região metropolitana de Buenos Aires (AMBA), Região Norte e Região Sul, para um novo competidor do setor.
A empresa deverá ceder 130 MHz de espectro para permitir que um novo operador possa competir em condições equitativas no mercado argentino.
Deverá garantir acesso à sua infraestrutura, sistemas e condições de interconexão por prazo de 2 anos enquanto o competidor desenvolve sua própria rede.
O órgão regulador fundamentou sua decisão no fato de que, sem estas condições, a fusão geraria uma concentração de 70% do mercado de telecomunicações em um único grupo econômico. Com as medidas impostas, a concentração ficaria limitada a 50%.
O ENACOM (Ente Nacional de Comunicações) elaborou o relatório técnico no qual se baseou a decisão, enquanto a Autoridade Nacional da Competência (ANC) aprovou o pacote de condições estruturais e condutuais.
Grupo Clarín: É o maior conglomerado de mídia da Argentina, controlador da Telecom através da Cablevisión Holding. Possui jornais (Clarín), canais de TV a cabo, provedores de internet e telecomunicações. Frequentemente comparado à Globo no Brasil pelo seu peso político e midiático.
Javier Milei: Presidente da Argentina desde dezembro de 2023, economista libertário que chegou ao poder com discurso antissistema. Mantém tensa relação com o Grupo Clarín, a quem acusa de manipulação de informações. Tem um tweet fixado em sua conta pessoal chamando o Clarín de "a grande fraude argentina".
Starlink: Serviço de internet via satélite de Elon Musk, já presente na Argentina com 1 milhão de usuários. Representa uma nova forma de competição global no setor de telecomunicações.
ANSES: Administração Nacional da Seguridade Social da Argentina, equivalente ao INSS no Brasil. Possui participação acionária na Telecom.
A decisão acontece em meio a crescente tensão entre o governo de Javier Milei e o Grupo Clarín, controlador majoritário da Telecom através da Cablevisión Holding. O presidente mantém há tempo uma postura crítica em relação ao conglomerado de mídia.
Segundo fontes do Grupo Clarín citadas pelo portal La Política Online, a empresa tomou conhecimento da decisão através do comunicado oficial, sem receber previamente a resolução para que seus advogados pudessem analisá-la. No conglomerado consideram que a medida tem um fundo político e asseguram que o mercado argentino já enfrenta competição global com a entrada da Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk.
| Valor da operação | USD 1,25 bilhão |
| Clientes a se desfazer | 6 milhões (50% da carteira) |
| Espectro a ceder | 130 MHz |
| Prazo de acesso à infraestrutura | 2 anos |
| Concentração sem condições | 70% do mercado |
| Concentração com condições | 50% do mercado |
| Data do anúncio original | Fevereiro de 2025 |
A Telecom tem dois caminhos possíveis: aceitar as condições ou recorrer à justiça. Em caso de aceitação, deverá encontrar um comprador para 50% de sua carteira de clientes, processo que pode ser complexo e extenso.
A operação envolve também outros atores: o empresário mexicano David Martínez (sócio minoritário), uma porção da Telecom que negocia em Wall Street, e outra parte que pertence à ANSES. Entretanto, o comunicado oficial mencionou apenas o Grupo Clarín.
O Tribunal de Defesa da Competência é um órgão decisor da Autoridade Nacional da Competência (ANC), cuja validade foi confirmada recentemente no Senado argentino. Sua missão é evitar a formação de monopólios que prejudiquem os consumidores e a livre competição.
Alfredo S. Quiroga