23/06/2026 10:29 - Judiciales
Após quase nove anos de investigações, o julgamento pelo afundamento do submarino ARA San Juan chegou à sua etapa decisiva. A promotoria apresentou suas alegações solicitando penas de até 5 anos de prisão para quatro altos oficiais da Marinha Argentina, acusados de homicídio culposo (sem intenção, mas por negligência) e descumprimento de deveres de funcionário público.
Comodoro Rivadavia é uma cidade portuária na Patagônia argentina, sede do Tribunal Oral Federal onde ocorre o julgamento. A Marinha Argentina (Armada Argentina) é a força naval do país, e o ARA San Juan era um submarino de propulsão diesel-elétrica, essencial para a defesa e soberania marítima argentina.
O Tribunal Oral Federal de Comodoro Rivadavia julga os seguintes oficiais da Marinha Argentina:
Na época da tragédia, exercia como Comandante de Operações da Marinha Argentina (COAA). Era responsável por planejar e dirigir as operações navais.
Ocupava o cargo de Comandante de Operações da Frota de Superfície (COFS). Tinha sob sua responsabilidade os navios de superfície da Marinha.
Exercia como Comandante da Força de Submarinos (CENCOMSUB), autoridade máxima em matéria de operações submarinas da Marinha.
Integrava o Estado-Maior do Comandante de Operações da Frota de Superfície, participando do planejamento das operações navais.
| Data | Fato |
|---|---|
| 25/10/2017 | O submarino ARA San Juan zarpa de Mar del Plata (importante base naval argentina) com deficiências técnicas conhecidas |
| 15/11/2017 | Implosão do submarino às 10:51 hora argentina. 44 tripulantes a bordo |
| 17/11/2018 | Localização dos destroços a 907 metros de profundidade |
A promotoria sustenta que os quatro réus descumpriram com seus deveres de funcionários públicos ao autorizar a navegação de um submarino em condições precárias, sem a manutenção adequada e com deficiências técnicas conhecidas. O argumento central é que a tragédia era evitável e que as vidas dos 44 tripulantes poderiam ter sido salvas se tivessem respeitado os protocolos de segurança.
A pena solicitada de até 5 anos de prisão fundamenta-se nos delitos de homicídio culposo (por não ter tido a intenção de causar as mortes, mas sim responsabilidade por negligência) e descumprimento de deveres de funcionário público.
O ARA San Juan transportava 44 tripulantes, todos membros da Marinha Argentina que cumpriram com seu dever até o último momento. Seus nomes permanecem gravados na memória coletiva como símbolo do sacrifício daqueles que servem à Pátria.
Para os familiares, este julgamento representa uma busca incansável por verdade e justiça após anos de dor e incerteza.
O julgamento continua no Tribunal Oral Federal de Comodoro Rivadavia, onde se espera que nas próximas semanas se conheça o veredicto final.
Alfredo S. Quiroga