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O debate histórico no Japão pela primeira licença-maternidade de uma prefeita

03/07/2026 21:53 - Internacionales

Um marco histórico na política japonesa

Em um país que enfrenta uma constante luta para aumentar sua taxa de natalidade e melhorar a igualdade de gênero, Shoko Kawata, de 35 anos, está prestes a fazer história. A prefeita da cidade de Yawata, ao sul de Quioto, será a primeira mulher a ocupar um cargo dessa magnitude em todo o Japão a tirar uma licença-maternidade.

Segundo informou BBC Mundo, Kawata anunciou em uma coletiva de imprensa em maio de 2026 sua intenção de tirar dois meses de licença antes e dois meses depois da data prevista para o parto, em meados de setembro de 2026.

O vácuo legal e a substituição temporária

Atualmente, o Japão não possui um marco legal que permita aos cargos eletivos locais se ausentarem de suas funções após ter um filho. Por isso, Kawata delegou temporariamente suas responsabilidades ao vice-prefeito, Shigeto Nose, de 62 anos.

Nose, que assumiu a responsabilidade de criar seus filhos deixando a tarefa quase exclusivamente para sua esposa na época, refletiu: 'Ver meu genro tirar seis meses de licença para cuidar de seu filho me alegra. Os tempos mudaram muito e é maravilhoso ver como colaboram dessa forma'.

Um país de contrastes: Quarta economia, mas atrasada em igualdade

O Japão é a quarta economia mundial, mas ocupa sistematicamente posições baixas no índice de disparidade de gênero. No relatório do Fórum Econômico Mundial publicado em junho de 2025, o país ficou na posição 118 de um total de 146 nações, sendo o país do G7 com os piores resultados nessa área.

Para contextualizar, até o ano passado, apenas cerca de 4% dos 1.720 líderes municipais do Japão eram mulheres. Embora o país tenha agora sua primeira mulher como primeira-ministra, o governo continua recebendo críticas por não promover suficientemente a participação feminina na política. Obstáculos como a gravidez, a percepção da política como um trabalho masculino e o assédio foram identificados pelo Gabinete do Primeiro-Ministro em uma pesquisa publicada em julho de 2025.

O debate público: Família ou serviço público

A notícia de Kawata dividiu as opiniões. Enquanto alguns celebram que ela priorize sua família e dê um exemplo para que mais mulheres entrem na política, outros críticos argumentam que se afastar das funções públicas é 'irresponsável'. Chegaram a afirmar que ela 'deveria ter engravidado antes de ser eleita'.

Kawata, que se tornou a prefeita mais jovem da história do Japão aos 33 anos e é formada em Economia pela Universidade de Quioto, expressa sua esperança de que este passo ajude a criar uma sociedade onde as mulheres possam conciliar ambas as esferas sem ter que escolher entre trabalhar e formar uma família.

O marco legal para os trabalhadores japoneses

Como contexto adicional, é importante destacar como funciona o sistema de licenças para os funcionários regulares no Japão, embora não se aplique a cargos eletivos:

  • Mulheres: Podem tirar 6 semanas antes da data prevista do parto e 8 semanas depois.
  • Homens: Dispõem de até 4 semanas de licença remunerada flexível, amplável para 8 semanas após o nascimento.
  • Cuidado do filho: Ambos os progenitores têm direito a uma licença até que a criança complete um ano. Recebe-se 67% do salário nos primeiros 180 dias e 50% a partir de então.

Desde abril de 2025, alguns pais podem receber ajudas adicionais durante os primeiros 28 dias se ambos os progenitores se acolherem à licença, incentivando uma criação mais equitativa.

A história de Shoko Kawata marcará um antes e um depois, abrindo um debate construtivo para que a política japonesa se adapte às realidades das mulheres do século XXI.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga