19/06/2026 12:04 - Economia
Vista aérea del río Paraná con barcos cargueros navegando por la Hidrovía Paraná-Paraguay, dragas operando en el canal, puerto de Rosario al fondo con silos de granos y estructuras portuarias modernas
A Hidrovia Paraná-Paraguai, verdadeira artéria econômica do Cone Sul, tem novo operador. O governo da Argentina adjudicou formalmente a concessão à empresa belga Jan De Nul em consórcio com a argentina Servimagnus, encerrando a gestão estatal da principal rota de exportação do país.
O anúncio foi feito em 18 de junho de 2026, poucas horas antes da chegada do presidente Javier Milei a Rosario para as comemorações do Dia da Bandeira. Rosario é a cidade símbolo do agronegócio argentino e porta de saída da maior parte dos grãos exportados pelo país.
Para entender a importância desta notícia, é fundamental conhecer o contexto geográfico e econômico:
A Hidrovia Paraná-Paraguai é um sistema fluvial de 3.442 km que conecta cinco países: Argentina, Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Funciona como uma "autoestrada liquida" onde navios transportam grãos, minérios e outras mercadorias.
Segundo Luis Zubizarreta, vice-presidente da Câmara de Portos Privados e Comerciais da Argentina, o novo esquema permitirá uma economia de aproximadamente US$ 10 por tonelada nos fretes marítimos.
"Isso é muito dinheiro que vai para o bolso dos produtores, dos exportadores e até dos importadores. Eles vão receber um preço melhor, e esse preço melhor será o total da economia."
O preço dos grãos é definido no mercado internacional. Se o custo de transporte diminui, essa economia vai diretamente para o bolso do produtor rural, não para o intermediário.
A redução de 13,5% nos custos logísticos significa milhões de dólares em economia para o setor agroexportador argentino, motor da economia do país.
A concessão por 25 anos inclui modernização, ampliação, operação e manutenção da Via Navegável Troncal. O modelo é de concessão a risco empresarial sem garantias estatais: a empresa privada cobrará o pedágio que hoje é arrecadado pelo Estado e será responsável pelas obras de dragagem e manutenção.
| Empresa | Pontuação Técnica | Oferta Tarifária | Resultado |
|---|---|---|---|
| Jan De Nul - Servimagnus | 66,20 pontos | Tarifa base | ADJUDICATÁRIA |
| DEME | 42,14 pontos | 17,4% mais desconto | Descalificada |
A empresa belga Jan De Nul já opera a dragagem do Paraná desde os anos 90, quando a primeira privatização foi realizada durante o governo de Carlos Menem.
Redução nos custos logísticos
Economia por tonelada
Duração da concessão
O novo esquema permitirá uma série de obras fundamentais:
Permitirá passagem de navios com maior calado, aumentando a capacidade de carga por viagem.
Sistemas de navegação atualizados para maior segurança e eficiência.
Projeção de duplicação do volume transportado em 5 anos.
A melhoria da hidrovia beneficiará não apenas a Argentina. Países vizinhos como Brasil, Paraguai e Bolívia terão impacto positivo em seus fluxos comerciais.
O Paraguai, por exemplo, possui a terceira maior frota mercante do mundo sob o regime 10-10-10, que permite bandeira estrangeira em navios com até 10 anos de antiguidade, conferindo alta competitividade.
Zubizarreta destacou que a transformação deve ser complementada com outras duas grandes concessões que o governo prepara:
"Combinamos ferrovia com rios, acredito que teremos boas notícias", afirmou o dirigente.
Rosario é a terceira maior cidade da Argentina, localizada na província de Santa Fe, às margens do rio Paraná. É o principal porto cerealista do país e porta de saída da produção agrícola do interior argentino.
O rio Paraná é o segundo maior rio da América do Sul (após o Amazonas) e deságua no Rio da Prata, conectando o interior do continente com o Oceano Atlântico. Para um estrangeiro: imagine a importância do rio Mississippi para os EUA - essa é a relevância do Paraná para o Cone Sul.
A adjudicação chegou após uma disputa intensa. A empresa concorrente DEME tentou questionar o processo, acusando falsamente Jan De Nul de operar com o governo chinês. No entanto, a Agência Nacional de Portos (AGP) manteve a licitação e resolveu que DEME não comprovou os antecedentes técnicos necessários.
No ambiente agroexportador, suspeitavam que por trás desta estratégia estava Guillermo Dietrich, ex-ministro de Mauricio Macri, que sempre buscou controlar a Hidrovia durante sua gestão.
O governo avançará para a assinatura do contrato nas próximas semanas. O Estado se reserva apenas funções de regulação e controle da via por onde sai 80% do comércio exterior argentino.
A concessão marca um ponto de inflexão: passar de um sistema estatal deficitário para uma gestão privada com obrigações concretas de investimento. Se executada corretamente, poderá se tornar um dos principais impulsionadores da economia argentina nas próximas décadas.
Dragagem: remoção de sedimentos do fundo de rios para manter ou aumentar a profundidade dos canais navegáveis.
Calado: profundidade que um navio afunda na água, determinando quanto ele pode carregar.
Cabotagem: transporte marítimo ou fluvial entre portos do mesmo país.
Fontes: La Política Online, Cadena 3
Alfredo S. Quiroga